quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Obrigado pela companhia em 2011 e até o ano que vem

No começo de um ano, vemos a perspectiva de fazer algo diferente, pra melhor, é claro. São muitas possibilidades, doze meses para alcançarmos tudo o que queremos.

Mas temos que ser pacientes. Uma coisa de cada vez, pois são 365 dias (366 em 2012) para terminá-los realizados.

Essa paciência foi uma das coisas que aprendi com a corrida. Entre a largada e a chegada de uma prova, enxergamos inúmeras oportunidades para alcançarmos recordes pessoais e sermos cada quilômetro mais rápido que o anterior.

Porém, é preciso controlar o ritmo. Dar tudo de si no começo pode terminar com o seu fôlego e a sua prova ser um desastre. Na vida acontece o mesmo.

Assim como a corrida não se resume nas primeiras passadas, o ano não acaba em abril.

Eu sei que é difícil, principalmente eu, que sou extremamente ansiosos para resolver tudo de uma tacada só, mas o planejamento a médio e longo prazo é fundamental.

Por isso, larguem com calma, aqueça bem, analise as condições e siga um pace agradável. Quando ver que tudo está bem, acelere. Não importa que já tenha passado mais da metade da prova (ou do ano), você vai ter pique para terminar inteiro e feliz.

Feliz split negativo para todos em 2012!

Let´s keep running!

P.S. Para quem não sabe, split negativo é quando o corredor faz a segunda metade da prova mais rápido que a primeira. É uma das estratégias dos maratonistas para quebrar recordes.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Tirando a barriga da miséria


Durante o ano, quando encaramos uma festança em um final de semana, geralmente maneiramos no seguinte, seja para preservar nossa saúde física ou financeira ou ambas.

Mas nas festas de final de ano é difícil se controlar. Junte familiares + amigos + mesa farta e o resultado será a sensação de que não precisamos mais comer entre o Natal e o Ano Novo.

A São Silvestre representa mais ou menos esse festival gastronômico da corrida.

Depois de 12 meses treinando forte para alcançar metas, madrugando para participar das provas e limitando nossos copos, taças e pratos, agora podemos nos esbaldar.

Se entre o ho ho ho e o feliz ano novo nem lembramos da balança, em nossa corrida preferida desencanamos da performance, chutamos o balde do recorde pessoal e nos divertimos com pessoas que nunca vimos na vida, mas que durante a prova são a nossa família e melhores amigos.

A contagem regressiva começa às 17 horas e a ceia é servida enquanto corremos: gatorade, água, barrinhas de cereais e frutas. São 15 km de confraternização que valem pelo ano inteiro.

Mas quando cruzamos a linha de chegada, a correria continua. É voltar pra casa, tomar banho e partir para o banquete da tia Dalva.

Afinal, temos que começar 2012 com muita energia para as próximas provas.

Let´s keep running!

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Manias de corredor

Quando estou me arrumando para ir correr, faço um ritual parecido com o do Rambo naquele desenho que passava no Xou da Xuxa. Sempre que ia entrar em ação, o McGyver das guerras acomodava seus brinquedinhos de combate na calça, na jaqueta e no coturno, finalizando com a inseparável fita vermelha na testa.

Meus instrumentos de prova são bem mais inofensivos. Primeiro tiro a palmilha do meu tênis e acomodo meu sensor Nike+. Depois, coloco o receptor no iPod e o prendo no shorts antes de partir para a cinta do monitor cardíaco. Molho a parte dos sensores que captam meus batimentos e a prendo em volta do peito. Encaixo o receptor e coloco o relógio. Termino colocando a viseira ou o boné.

Agora já estou pronto para correr.

Pra mim, a corrida já começa aí. É o momento de concentração e do primeiro passo para encarar a batalha da prova ou do treino com a moral elevada.

Esquecer algum desses detalhes é a mesma coisa que entrar numa guerra sem munição.

Let’s keep running!

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

A hora do adeus

Qualquer semelhança com a vida real é mera coincidência.

Não precisou de briga ou discutir a relação. Simplesmente acabou.

Na verdade, nunca morri de amores por ela. Nossos encontros ocorriam esporadicamente no meio da semana e não duravam mais do que uma hora.

Mesmo admitindo que essa convivência me fizesse bem, chegou um momento que não conseguia mais encará-la de frente. Estava me sentindo preso, o relacionamento havia caído na mesmice, e percebi que não sairia do lugar.

Foi então que os encontros foram se tornando raros. Quando passava embaixo da sua janela, corria meu olhar saudoso para ela e me perguntava se devia subir. Melhor não. Insistir em algo que já está desgastado só aumentariam as chances de eu me machucar.

Não digo que vou esquecê-la. Não, jamais faria isso. Os bons momentos que passamos juntos foram muito valiosos e talvez nos encontremos uma noite qualquer.

Mas o importante é que estou decidido. A partir de agora deixarei de correr na esteira e farei na rua meus treinos noturnos durante a semana.

Com mais liberdade, poderei ir mais longe nos meus objetivos. Vou respirar novos ares e correrei no ritmo que eu quiser.

Let’s keep running!

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Férias corridas

Férias. Taí uma coisa que nunca sai da nossa cabeça. Mal terminam e já estamos pensando nas próxima.
Muitas coisas na vida precisam de foco, mas nada é mais prazeroso do que planejar nosso descanso anual.
Quem corre tem o mesmo gosto em procurar pelas corridas. Aliás, é nas minhas férias de dezembro que inicio a busca pelas provas do ano seguinte.
Diariamente busco os calendários para me organizar. E quando escolho as minhas corridas, já fico alucinado para chegar logo o dia da largada.
E quando cruzamos a linha de chegada, já estamos pensando na próxima. Da mesma forma que avaliamos o que levar na mala da viagem, já começamos a pensar com que roupa vamos correr, se vamos atrás do recorde pessoal, se escolhemos uma prova nova ou tradicional e por aí vai.
Mas o legal mesmo deve ser unir as duas coisas e fazer o “maraturismo”. Confesso que é um dos meus sonhos de consumo sair de férias e participar de uma corrida no local. Um dia eu chego lá.
Esse dia ainda não veio, porém as minhas férias já chegaram. Vou aproveitá-las por aqui mesmo, sem viagens dessa vez. Descansarei do trabalho, mas continuarei correndo.
Let’s keep running!

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Analogias entre o trabalho e a corrida

Você dá o melhor de si, nunca falta, chega no horário e sai quando todos os colegas já chegaram em casa. Promoção? Nenhuma, mas a quantidade de trabalho é de fazer inveja ao mais fanático dos workaholics.

Não quero denegrir nosso ganha-pão, afinal, graças a ele pagamos as inscrições nas corridas, mas o certo é que a correria do dia a dia profissional é diferente da do nosso esporte favorito.

Esqueça as salas apertadas, cheias de gente engravatada querendo cada um comer o fígado do outro. Na corrida, as reuniões são a céu aberto e em clima bastante amistoso.

Descontraídas e democráticas, as decisões são compartilhadas por todos os participantes. Nem existe aquele chefe mala pra gente falar mal depois.

Também não há trairagem e o pessoal respeita as limitações de cada um. Mais do que isso, o apoio e a camaradagem estão no pacote de benefícios.

Mas para se dar bem é preciso deixar a zona de conforto para trás. Temos que ralar pra caramba, muitas vezes acordando cedinho ou fazendo hora extra depois do expediente.

A diferença é que todo o esforço é recompensado. A satisfação é garantida e tamanha dedicação ainda faz bem à saúde.

Além disso, somos promovidos por meritocracia. Com muita força de vontade passamos dos 5K para os 10K. Mais alguns meses e já atingimos o nível de meia maratona. Para os mais ambiciosos, a partir dessa distância todos já podem almejar o cargo mais desejado do mundo da corrida: o de maratonista.

Claro que em meio a tanto suor, existe o happy hour após as desgastantes provas. Que tal uma rodada de Gatorade com uma porção de barrinhas de cereais?

Let’s keep running!

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Sorria. Você está sendo incentivado

Durante o ano, quantas vezes as pessoas se juntam ao seu lado para te incentivar no que está fazendo?
Neste mesmo período, em quantas oportunidades você serviu de inspiração para os outros?
Acredito que as respostas sejam “poucas” ou “nenhuma”. Comigo é assim também.
Mas existe um dia que você é o centro das atenções. E digo mais, não serão só as pessoas ao seu redor que vão dar “aquele” apoio. Estou falando de milhares de cidadãos que nunca te viram na vida.
Tudo isso, claro, se você se inscrever na São Silvestre. Ou você acha que aqueles milhares de paulistanos apinhados ao longo do percurso querem ver os quenianos ou os marroquinos?
Não, todos estão ali por sua causa. Querem ver você passando, gritar seu nome e encher seu “tanque” de entusiasmo para ir até o final.
Além disso, imagine quantas pessoas, ao longo dos 15 km, não vão olhar seu esforço e pensar “no ano que vem vou fazer igual esse cara ou igual essa menina e terminar a corrida”.
Correr é uma emoção tão grande que não dá para explicar, só vivendo. Por isso, se inscreva na edição de 2012 da São Silvestre e mate a vontade daqueles que estão loucos para ver você correndo.
Let’s keep running!

sábado, 10 de dezembro de 2011

O rio Tietê corre comigo

As águas sujas e mal-cheirosas do Tietê me acompanham em alguns treinos.

Calma, não faço meus longões na marginal. Acontece que esse nosso ilustre conhecido também exibe sua poluição em Alphaville.

O mesmo lugar cercado de árvores, plano, com calçamento em bom estado e que termina em um belo parque é ladeado pelo rio que, em dias bastante “inspirados”, é capaz de fazer o mais fanático corredor repensar seu treino antes das primeiras passadas.

Seu cheiro chega a ser tão ruim que dói na alma. É deprimente saber que a degradação do Tietê é mais rápida do que a velocidade de todos os corredores da pista de Alphaville.

Bom, esse post foi só um desabafo e vou parar por aqui. Até porque essa história se encaminha para um final muito triste.

Let’s keep running!

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

No ritmo dos nossos desafios


Ah, zona de conforto, que maravilha. Nada incomoda, está tudo sob controle. Pra que se esforçar se consigo fazer o arroz com feijão, o cliente aprova e o chefe não precisa gastar seu precioso tempo cobrando mais empenho?
Maldita zona de conforto. Impede que o bom fique ótimo e que o percurso das conquistas pessoais ganhe novos quilômetros.
Independente de querer ou não se superar, correr é sempre bom. Mas imagine quantos recordes pessoais você já deixou de alcançar por não querer uma gota de suor a mais no rosto ou aumentar alguns centímetros as suas passadas.
No fim da prova, você fica imaginando, frustrado: “Putz, naquele trecho eu podia ter acelerado”, “Por quê eu poupei energia naquela subida que nem era tão íngreme?”.
Mas já era, ficou para trás. Por desinteresse ou preguiça de realizar um pequeno esforço, perdemos a chance de dar o nosso melhor e fazer algo que nos fizesse destacar entre os outros.
Na corrida sempre temos uma nova chance. Mas e na vida?
Let’s keep running!

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

O médico da família corinthiana

Estava iniciando minha corrida no domingo pela manhã, no Parque do Carmo, quando ouvi uma mulher que montava sua barraca de lanches comentar a morte do Sócrates.
Por mais que as evidências encaminhavam para um desfecho triste, fiquei transtornado com a notícia. Primeiro pensei em parar de correr, mas isso não seria justo. Para homenagear um esportista, nada melhor do que continuar correndo.
Ainda mais o Magrão, que em uma entrevista disse que a síntese da superação no esporte, na sua opinião, foi em uma maratona olímpica. Acredito que todos já viram a imagem de uma atleta se contorcendo em cãimbras lutando para terminar a prova.
Esse é um típico exemplo de que uma imagem vale mais que mil palavras.
O tempo que acompanhei a trajetória do doutor foi tão breve quanto um toque de calcanhar, mas o suficiente para me cativar de forma tão fulminante quanto o seu gol contra a URSS, na Copa de 82.
Por isso, o post de hoje é em memória ao Sócrates Brasileiro. Valeu Doutor.
Let’s keep running!

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Adeus ano velho, feliz ano novo


Quando viro a folhinha de novembro do calendário, penso: “Já era o ano.”
É incrível como as coisas, com excessão do trânsito, é obvio, parece ganhar velocidade nessa época. Um piscar de olhos e já estamos dando feliz Natal, mais um e lá vamos nós pra largada da São Silvestre.
Faltam só cinco finais de semana para 2011 acabar. O balanço que faço do ano é nota 5. Meu primeiro semestre foi fantástico. Melhor tempo nos 10 K e em ponto de bala pra meia maratona.
Mas a segunda metade deste ano, confesso, deixou a desejar. Contusões, compromissos e a preguiça me afastaram um pouco da corrida. Nem de uma mísera prova eu participei. Que vergonha.
Realmente não fui um bom menino, mas mesmo assim Papai Noel vai me dar o presente de correr a São Silvestre.
E este é um bom motivo pra esquecer o que passou e olhar sempre pra frente. Para 2012, os planos continuam os mesmos de 2011: correr minha primeira meia maratona e aumentar cada vez mais minha quilometragem.
Essa é outra coisa boa da corrida: você sempre tem uma segunda chance.
Let’s keep running!

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Pé na areia

Ir à praia e não entrar no mar é uma heresia. Nem que seja só para molhar os pés, entrar em contato com o oceano é um protocolo obrigatório.
Esse final de semana criei outro ditado. Ir à praia e não correr é como ir a um rodízio de carne e só comer salada.
Observar a quantidade de pessoas que praticavam a corrida na orla de Juquey me fez pensar que o mar era um belíssimo complemento para a principal atração do local: correr.
Homens, mulheres, jovens, casais e um senhor quase centenário esbanjando disposição deixaram esse esporte ainda mais bonito.
Minha namorada e eu demos o nosso trote litorâneo umas 7h30 do domingo, mas a correria acontecia em todos os horários.
Confesso que no resto do dia fiquei com vontade de calçar novamente meu par de tênis e seguir o fluxo, mas consegui me controlar.
Era o momento de aproveitar o cenário da pista de atletismo mais bonita que já corri.
Let`s keep running!

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Palavras, o dopping do bem.

É clichê, mas as palavras mexem com a gente. Na corrida, elas funcionam como a endorfina.
Fora das pistas, mas também envolvendo a corrida, recebi um incentivo que me fez retomar esse espaço.
Desleixado nos treinos e mais ainda pra escrever, estava eu em uma festa com amigos da minha namorada quando pessoas que nunca tinha visto ou conversado na vida vieram falar comigo sobre corrida e sobre esse blog.
Me senti como se estivesse no final de uma prova, consumido por cãimbras e desânimo, e uma voz surgida do nada te dá aquele incentivo. Nesses momentos, quando com muita dificuldade levanto o rosto para descobrir quem proferiu tais palavras, este já está bem à frente e não há forças nem para agradecer.
Mas ele já cumpriu seu papel, e talvez nem saiba disso. Como se suas palavras ficassem no ar, inspirei-as e segui em frente.
Os convidados da festa agiram como esse corredor desconhecido, e despertaram o que estava adormecido em mim. E sou muito grato a eles.
Não sou adepto da auto-ajuda ou coisas do gênero, mas nunca perca a oportunidade de incentivar alguém. Se funciona com desconhecidos, imagine o que suas palavras não serão capazes de fazer com aquele grande amigo sedentário que você tanto quer que corra ao seu lado.
Let’s keep running!

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

A receita é sempre manter o foco

Quando me aventuro na cozinha, fico perdido se tenho que preparar mais de uma coisa. Fritar ovo e passar o bife na farinha ao mesmo tempo que preparar a salada e cozinhar o arroz me deixam aflito.
A Adriana, que trabalha comigo, me disse que homem é limitado mesmo nessa parte da casa, e eu sou a prova de que ela tem razão.
Casar, arrumar o apartamento e correr estão me causando a mesma coisa. Não consigo focar direito nas três obrigações.
Enquanto mergulhei de cabeça nas duas primeiras nos últimos meses, meu esporte favorito desceu ladeira abaixo.
Virei corredor “domingueiro”. Treinei uma vez por semana (e olhe lá!) e rapidinho porque tinha compromisso depois.
A São Silvestre está aí e do jeito que estou, o percurso inteiro será uma subida da Brigadeiro Luis Antônio.
Mas isso vai mudar. Estou faminto pra correr e a partir de dezembro pretendo ser tão presente nas pistas e nas ruas quanto nesse humilde blog sobre corrida.
Imitando as torcidas de times de futebol da Série B que retornam à Série A, “O corredor voltou”.
Let’s keep running!

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Os quilômetros da semana

Na minha semana de trabalho, considero dois momentos decisivos: a primeira vez que vou ao banheiro, assim que chego na segunda-feira, e a última, na sexta-feira.
Nem preciso dizer a diferença de humor nos dois casos, né?
Pois na corrida meu estado de espírito é bastante similar. Por exemplo, em uma  corrida de 10K, o primeiro quilômetro equivale ao primeiro e mais “bodeado” dia da semana. “Como eu queria ter continuado na cama” é o pensamento universal.
No quilômetro 3, vamos entrando no ritmo, quase como em uma terça-feira. Parece que o pior já passou, mas temos muito trabalho pela frente. É o momento que as horas e a distância demoram a passar.
A nossa quarta-feira da corrida é o 5º quilômetro. Chegamos na metade e a nossa mente já começa a pensar no final de semana ou da corrida. Já vemos uma luz no fim do túnel. A esperança e a endorfina nos dão o empurrõzinho para seguirmos em frente.
Oitavo quilômetro = quinta-feira. Não acabou ainda, mas estamos quase lá. Hora de dar uma acelerada, tirar o excesso de trabalho da frente e entrar cheio de empolgação no momento mais esperado da semana e da corrida.
Sexta-feira é o nosso último quilômetro. Tudo parece mais bonito. Até trabalhamos com mais prazer, e o cansaço da corrida nem nos abala. O relógio e o cronômetro são consultados frequentemente para saber quanto falta para acabar.
Uma sensação de liberdade e alegria toma conta da gente. Todos felizes contando os planos para o final de semana ou correndo rumo ao pórtico de chegada. Pronto, acabou. É só apertar o botão do computador e o do frequencímetro e curtir pra valer o nosso merecido prêmio: o sábado e o domingo, ou a medalha.
Ah, claro, não posso me esquecer da última passadinha no banheiro. Que venha a próxima segunda-feira.
Let`s keep running!

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Corrida X Tecnologia


Logo no início, quando as redes sociais passaram de um resfriadinho para uma febre mundial, um camarada disse que eu era a pessoa que tinha menos amigos no Orkut. Dez, para ser mais exato.
Nunca me liguei muito nessas coisas, até perceber que elas eram importantes tanto profissionalmente quanto em tudo o mais. Hoje em dia as redes sociais contribuem até para derrubar regimes políticos.
Com a corrida foi mais ou menos assim. Minha ligação com o esporte se limitava ao futebol de fim de semana e ao sonho de um dia aprender a jogar tênis.
Então descobri a importância de correr. Assim como Orkut, Facebook e similares, ela socializa, ajuda a fazer novos amigos e a encontrar outros em meio a retirada de kits ou na fila do guarda-volume.
A diferença, claro, é que em uma dessas atividades você fica sentado exercitando os olhos e os dedos no teclado. Na outra, nem preciso falar.
Não sou contra a tecnologia, longe disso. Inclusive meu sonho de consumo atual é um frequencímetro com GPS. Só escrevi isso porque ouvi gente profetizando um futuro com ruas desertas, só com aquele tufo de feno passando, e todo mundo enfurnado em casa vendo o mundo pelo monitor.
Coitados.
Eles não sabem que isso nunca vai acontecer. Sempre haverá um corredor para deixar um rastro de vida pelo caminho.
Let`s keep running!

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Papo firmeza

“Tá quente hoje”, “Acho que vai chover”, “Até que enfim o sol deu as caras”.
Seja no elevador, na fila do banco ou no cabelereiro, falar sobre o tempo desde sempre foi uma boa estratégia para puxar papo com alguém. Muitas vezes a conversa não engata e dura menos do que uma chuva de verão, mas vale a tentativa.
Ultimamente tenho percebido que o tema “corrida” também tem essa função social. Quando o assunto meteorológico esfriar, na primeira oportunidade apresente-se como corredor(a), pois as chances de segurar a atenção da outra pessoa são enormes.
Acho que isso acontece porque a corrida tornou-se sinônimo de qualidade de vida e, por ser um esporte simples e democrático, é o primeiro da lista de quem hoje é sedentário e amanhã quer ter orgulho de ser um atleta.
Vocês vão poder falar sobre provas, distâncias, treinos, planos de correr maratona, nutrição, viagens e por aí vai. Já ouvi histórias de pessoas que começaram falando de corridas, passaram a treinar juntas e terminaram no altar.
Por isso, se você é tão bom nas passadas quanto na lábia, tá aí uma ótima alternativa para praticar seus dotes.
Aí, meu amigo, haja assunto. Porque assim como o inverno no Pólo Norte, o papo vai longe.
Let`s keep running!

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Na corrida é diferente

No trabalho, a proatividade dita as ordens. Na vida social, a pressão por status, consumo e ostentação é o que nos faz ser bem-aceitos. No convívio familiar, temos que agradar mãe e sogra sem desapontar o cônjuge. Tudo ao mesmo tempo.

É difícil ter uma rotina sadia com tanta cobrança pela perfeição. A gente tenta, mas nem sempre se pode ser Deus.

Ainda bem que o maravilhoso mundo da corrida nos oferece uma válvula de escape. Nele, não ser o primeiro não significa uma derrota e o brilho pela superação é tão intenso quanto ao da medalha de quem está no topo do pódio.

Seja com o fone no ouvido ou no ritmo da batida do coração, por alguns momentos você está imune a tudo. Esse é o seu momento, a hora de priorizar o que sempre deveria ser priorizado: o seu bem-estar.

Ao apertar esse botão de reset, sua mente esvazia e abre espaço para armazenar coisas boas e interessantes. Confesso que às vezes meus pensamentos se voltam um pouco para o trabalho, mas nesse caso até isso se torna benéfico.

Eu, como redator publicitário, já criei alguns textos e títulos bacanas enquanto batia perna por aí. Tenho certeza que não teria esses insights se estivesse no trânsito ou na firma.

Infelizmente, o esporte ainda não consegue evitar o famoso “tudo o que é bom, dura pouco”. Então, vamos aproveitar ao máximo cada passada!

Let’s keep running!

Ausência

Foi como se tivesse sofrido uma contusão que me tirasse da ativa por algum tempo. Mas estou voltando.

O trabalho e a correria de quem decide se casar e ter casa me afastaram do blog. Já estava me sentindo mal e com saudades de compartilhar meus posts.

Essa semana mesmo espero retornar com o mesmo pique de antes.

Let`s keep running!

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

A hora de mudar


Mudanças sempre são bem-vindas. Além de renovarem nossos objetivos, elas nos dão perspectivas para um futuro melhor.

Não sou um eterno insatisfeito, mas não costumo correr de boas oportunidades.

Hoje estou iniciando uma nova fase na minha vida profissional. Novas metas, novos desafios. Isso me faz lembrar alguns momentos da corrida, quando precisamos buscar motivação extra.

Uma vez ouvi dizer que “quando demoramos muito para vestir as meias antes de ir trabalhar é porque chegou o momento de mudar de emprego”. Isso também vale para a corrida.

Chega uma hora que tudo parece ser repetitivo e desgastante. Passamos pelas mesmas árvores, desviamos dos mesmos buracos, cruzamos com as mesmas pessoas.

É então a hora de aumentar a distância ou correr em novos percursos para dar aquela injeção de ânimo. E como funciona. Parece que ficamos mais leves, pois a paisagem diferente dá um gás para irmos mais longe e terminarmos o treino muito mais disposto.

Aprendi que o segredo disso tudo não é constatar que um dia ficaremos com o saco cheio de tudo, mas saber que podemos melhorar sempre.

Let’s keep running!

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Corre atrás que você alcança

Foi amor ao primeiro saque. Quando ainda era criancinha comecei a assistir tênis na extinta Rede Manchete. Não entendia nada e os termos em inglês não facilitava muito minha vida. Também não tinha com quem tirar dúvidas, pois na minha família este esporte estava longe de ser uma “paixão nacional”.

Mas não desisti. Procurei livros (na época internet era uma coisa tão distante quanto uma ultramaratona) e continuei assistindo às partidas até entender. Na corrida fiz quase a mesma coisa.

Depois que perdi o contato diário com minha amiga Rosa, fiquei um pouco sem referência sobre dicas de treinamento, fisiologia, nutrição e provas. Corri atrás (agora sim com o apoio da web) e descobri centenas de planilhas de treinos e informações valiosas.

Já li tanto a respeito que até faço pré-diagnósticos de lesões: “Hummm... parece condromalácia patelar”; “Ah, deve ser síndrome da banda ilio tibial”.

Claro que o mais sensato é procurar uma assessoria ou um profissional habilitado, mas acho que é possível começar a correr seguindo fontes confiáveis, como a revista Runner’s e os sites Webrun e O2, entre outros.

É incrível como seres humanos, iguais a você e eu, conseguem excelentes resultados quando se propõem a fazer algo com vontade.

Eu fiz isso e hoje tenho o maior orgulho em correr 21 km e assistir a uma partida de tênis.

Let’s keep running!

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Nunca economize nos sonhos

Em 2012, vou me casar. 2013 será o ano de conhecer a Europa e, em 2014, além de acompanhar a Copa do Mundo no Brasil, quero assistir algumas partidas do US Open ao vivo em Nova Iorque.

Ah, como é bom fazer planos. Eles nos dão motivação para acordar todos os dias e perseguir sua realização. Só que enquanto para as viagens economizamos grana, na corrida acumulamos quilometragem.

Descobri que planejar a participação em uma meia maratona pode ser um investimento tão arriscado como em ações na bolsa: uma desvalorização do treinamento e suas aspirações devem ser adiadas.

Já me inscrevi em uma prova de 21K, mas às vésperas da corrida arrisquei mais do que devia e me lesionei. Aos poucos estou readquirindo a forma e decidi, junto com a minha namorada, unir dois momentos marcantes em uma única aplicação: estrear na meia maratona durante a nossa lua de mel.

Estamos estudando as opções do mercado para decidir onde depositar nosso desejo. Mas essa comodity tem de apresentar diferenciais, como ser turística e romântica. Nesse caso, Buenos Aires e Santiago estão bem cotadas.

Enfim, acho que agora vai dar certo. Afinal, investir junto com alguém rende muito mais.

Let’s keep running!

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Santa São Silvestre

Diga a alguém que você pratica corrida de rua e a primeira pergunta que ouvirá será “Já correu a São Silvestre?” Se disser “Ainda não”, com certeza perderá credibilidade. E não adianta complementar “Mas já corri maratonas em Nova Iorque e Berlim”.

A prova de rua mais tradicional e querida do País é um mito tanto para corredores quanto para não corredores.

E apesar de muita gente estar “se esforçando” para desfigurar a corrida, ela ainda continua sendo minha última atividade oficial do ano.

Essa semana pretendo me inscrever. Será a minha segunda participação e toda a vez que passo por algum ponto do percurso entro no clima.

Ontem desci a Brigadeiro Luis Antônio e a cada um dos inúmeros semáforos vermelhos que parava, ficava me imaginando no sentido inverso, suando. “Se houvesse essas paradas no dia da corrida, poderia recuperar o fôlego”, pensei.

Ao passar pelo minhocão, não tem como não rir do lugar mais legal da corrida na minha opinião. A galera nas janelas dos prédios e ao longo do elevado, já no clima do réveillon, se transforma no nosso GPS - “Falta pouco, vamos lá!” - e nos atualiza com informações em tempo real, sejam elas otimistas - “Deu Brasil. O Marílson ganhou” – ou para tirar uma da sua cara – “Pode parar de correr, o queniano já chegou”.

Mas pra mim, o melhor da São Silvestre é ela acontecer em 31 de dezembro. Afinal, depois de 365 dias trabalhando, estudando e pagando impostos, a gente merece uma medalha.

Let’s keep running!

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Analogias entre trabalho e corrida

Você dá o melhor de si, nunca falta, chega no horário e sai quando todos os colegas já chegaram em casa. Promoção? Nenhuma, mas a quantidade de trabalho é de fazer inveja ao mais fanático dos workaholics.

Não quero denegrir nosso ganha-pão, afinal, graças a ele pagamos as inscrições nas corridas, mas o certo é que a correria do dia a dia profissional é diferente da do nosso esporte favorito.

Esqueça as salas apertadas, cheias de gente engravatada querendo cada um comer o fígado do outro. Na corrida, as reuniões são a céu aberto e em clima bastante amistoso.

Descontraídas e democráticas, as decisões são compartilhadas por todos os participantes. Nem existe aquele chefe mala pra gente falar mal depois.

Também não há trairagem e o pessoal respeita as limitações de cada um. Mais do que isso, o apoio e a camaradagem estão no pacote de benefícios.

Mas para se dar bem é preciso deixar a zona de conforto para trás. Temos que ralar pra caramba, muitas vezes acordando cedinho ou fazendo hora extra depois do expediente.

A diferença é que todo o esforço é recompensado. A satisfação é garantida e tamanha dedicação ainda faz bem à saúde.

Além disso, somos promovidos por meritocracia. Com muita força de vontade passamos dos 5K para os 10K. Mais alguns meses e já atingimos o nível de meia maratona. Para os mais ambiciosos, a partir dessa distância todos já podem almejar o cargo mais desejado do mundo da corrida: o de maratonista.

Claro que em meio a tanto suor, existe o happy hour após as desgastantes provas. Que tal uma rodada de Gatorade com uma porção de barrinhas de cereais?

Let’s keep running!

terça-feira, 27 de setembro de 2011

O esquenta da corrida

A entrega do kit para a corrida é algo como o treino classificatório da Fórmula 1, que acontece um dia antes da prova. A diferença é que nesse dia você não precisa correr, só comparecer.

Serve para entrar no clima da corrida e receber um monte de coisinhas. Pra quem gosta de colecionar “tranqueiras” é um prato cheio.

Nessa grande concentração pré-prova recebemos os mais variados tipos de amostras-grátis como barrinha de cereal, isotônicos, café solúvel, folhetos de novos produtos, revistas de corrida e, é claro, os personagens principais, que são a camiseta, o número de peito com seus inseparáveis alfinetes e o cada vez mais presente chip descartável.

Mas por trás do kit existe uma estrutura que fica mais bacana a cada dia. Massagens, palestras, testes físicos e de pisada entre outros mimos. É uma experiência bem legal que se transforma em um passeio bastante interessante.

Depois de usufruir tudo isso, minha namorada e eu geralmente damos uma esticadinha em outros pontos da cidade: passear nos parques, almoçar fora, perambular por shoppings, visitar a feirinha da Benedito Calixto etc. É uma excelente oportunidade de desfilar sua sacolinha e se sentir um verdadeiro atleta.

Inevitavelmente, você vai chamar a atenção de algumas pessoas. “Onde estão dando estas sacolinhas?”. É a sua chance de fazer a boa ação do dia e responder: “É pra quem vai participar da corrida amanhã. Vai lá se inscrever”.

Let’s keep running!

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

E aí, vai encarar?

Estamos correndo tranquilamente, tudo lindo e plano quando de repente ela surge, imponente. Lá do alto parece rir da nossa insignificância, nos desafiando a superá-la.

Essa é a imagem que as subidas me passavam no começo. Mas se olharmos de pertinho, elas até que são simpáticas e podem proporcionar ótimos treinos.

Particularmente, sempre as via pelo lado ruim, até o dia que resolvi correr a São Silvestre e encarar a bendita Brigadeiro Luis Antônio.

Fui obrigado a acrescentar subidas aos meus treinamentos e os primeiros contatos não foram nada amigáveis. Os cumes dos meus “Everests” de piche pareciam nunca chegar. A sensação era que estava subindo escadas rolantes que desciam.

Com o tempo, fui pegando gosto por esse desafio (todo mundo tem seu lado masoquista) e o bicho-papão tornou-se um bichano. O que era um sacrifício transformou-se em prazer e agora sou um alpinista do asfalto.

E veja como são as coisas, virei um entusiasta de quem antes me botava um medo danado.

Mas a corrida é assim mesmo, vive nos surpreendendo.

Let’s keep running!

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Evitando acidentes de percurso

Você compraria uma casa sem saber onde ela fica? Pois eu não me inscrevo em uma prova sem conhecer o percurso.

Salvo as devidas proporções da comparação supracitada, participar de uma competição “no escuro” pode ser uma roubada.

Aprendi a desconfiar das provas que demoram em apresentar o percurso. Você acessa o site, vai direto no link do bendito e surge um gigantesco “Em breve” na sua tela. Claro que devem existir bons motivos para isso, mas não deixa de representar uma armadilha no caminho.

Por exemplo: me inscrevi em uma prova de 10 km e a definição do circuito só aconteceu uma semana antes da largada. O percurso teria apenas 2,5 km e teríamos que dar 4 voltas para completar o total. Frustrante.

Além da repetição do trajeto, não havia tempo nem espaço suficientes para os atletas dispersarem, logo foi uma prova quase inteira congestionada.

Por isso, na hora de escolher sua corrida, atenção para esses detalhes. Porque percurso chato é pior que papo de corretor fajuto.

Let’s keep running!

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Um sacrifício saudável


Acordar cedo nunca foi problema para mim. Se for para praticar algum esporte então, levanto até antes do galo.

Durante minha vida futebolística, muita gente achava loucura eu acordar às sete horas da manhã de um domingão para correr atrás de uma bola. Imaginem se descobrirem que antecipei esse horário para as cinco ou seis horas e para correr atrás de nada.

Pois esse é o requisito básico para praticar meu novo esporte favorito: a corrida.

Quando o relógio apita, tento acreditar que é um sonho, mas sua insistência me faz despertar para a realidade. Confesso que é difícil levantar, porém uma vez de pé, botamos a preguiça pra correr.

O sol ainda está se espreguiçando quando termino de amarrar meu tênis. O astro rei chega praticamente junto comigo ao local da prova e seus primeiros raios iluminam um batalhão de madrugadores cheio de animação. É incrível constatar como existe vida acontecendo enquanto ficamos enrolando na cama até a hora da Temperatura Máxima.

Dormir é muito bom, mas acreditem, acordar cedo é melhor ainda. O dia rende tanto que até nos permite tirar um cochilo após o almoço, afinal ninguém é de ferro.

Até hoje já me arrependi várias vezes por não ter levantado para correr, mas nunca por ter ido.

Let’s keep running!

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Vamos viver felizes para sempre

Entrada triunfal, cerimônia perfeita e convidados emocionados. Mas para evitar tumulto na porta da igreja, os noivos terão que sair pelos fundos.

Usei esse exemplo para falar da nova chegada da São Silvestre, que foi transferida da Paulista para o Ibirapuera.

Nada contra os fundos da igreja ou o magnífico bairro da zona sul de São Paulo, mas tradição é tradição, não é verdade?

São Silvestre e chegada na Paulista é um casamento perfeito e ponto.

Ainda bem que já fiz o trajeto original e pude sentir a emoção de, após escalar a Brigadeiro Luis Antônio, entrar na principal avenida da cidade e terminar a mais importante prova de rua do País.

Ano passado foi a entrega das medalhas antes da prova, agora a mudança do trajeto. Só falta alterar a data para 2012.

Galera, não estamos descaracterizando qualquer corrida e sim uma “senhora corrida”, que esse ano completa 87 anos. Mais um motivo para ser respeitada.

Por isso, sou a favor do manifesto que li no blog Correria, da Runner’s Brasil, e endossado por inúmeros jornalistas, para tudo voltar a ser como antes.

Chegada na Paulista já! Até que a morte nos separe.

Let’s keep running!

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Faça a sua história


Às vezes, ouço pessoas rindo e fazendo rir com suas histórias tristes e decepcionantes. Me pergunto: “Como podem se divertir com essas situações?”.

Com certeza elas não viram graça quando passaram por isso e seus ouvintes nem se atreveriam a esboçar um sorriso caso vivessem algo semelhante.

Mas é legal compartilhar esses momentos com os outros mais tarde. E qual gênero mais propenso ao sucesso do que a catástrofe e a desgraça alheias?

A corrida não é exceção e invariavelmente me flagro prestando atenção e rindo de histórias de contusões, câimbras, ataque de animais entre outras.

Por isso, estou me acostumando a encarar as fases difíceis na corrida como meu repertório de “causos” engraçados. Entre elas a meia maratona que paguei e não corri e a barata que “dormiu” dentro do meu tênis. A última coisa que você imagina acontecer antes da corrida é sentir alguma coisa se debatendo desesperadamente contra o seu pé na hora de calçar o tênis. Quando a tirei de lá e tentei acertá-la, a desgraçada deu um sprint e fugiu. As baratas sempre foram mais espertas do que eu.

Ah, tem também as vezes que o intestino resolve se manifestar no meio do treino. Nesse caso ou você para ou você para porque é impossível se concentrar na corrida e “segurar a bronca” ao mesmo tempo.

Já tá rindo, né? Tranquilo, isso também me diverte hoje.

Mas vale a dica: nunca saia para correr sem fazer o número dois. Senão essa também será mais uma história para você contar.

Let’s keep running!

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Já estou há 128 dias sem

É sério, e tô sentindo muita falta.

Desde que me iniciei, nunca tinha ficado tanto tempo sem. Já estou subindo pelas paredes, matando cachorro a grito.

Minha última vez foi dia sete de maio. Confesso que não foi do jeito que eu queria, mas gostei. Aliás, se eu soubesse que depois daquela noite não haveria nenhuma outra, teria aproveitado mais.

Agora, secura total. Para me satisfazer, tenho que apelar para sites e revistas do gênero.

Mas isso não serve pra mim. O que vale é o contato, o olho no olho para entrar no clima, entende?

Cara, juro que não consigo entender como tem gente que consegue passar a vida inteira sem. Uma das maneiras mais simples de sentir prazer que existe e simplesmente dão de ombros. Menos mal aqueles que começam depois de casar. Aposto que eles devem pensar: “Por quê demorei tanto?”.

No meu caso, está difícil suportar. Tô encarando qualquer uma que vier pela frente. Seja aquela que pagamos baratinho ou a que cobra uma pequena fortuna.

O leitor amigo que já passou por isso sabe o que é dormir e acordar pensando nessas coisas.

Galera, preciso desesperadamente participar de uma corrida!

Let’s keep running!

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Uma corrida cívica

No jantar da última terça-feira, véspera do feriado, minha namorada me fez uma proposta obscena.  “Vamos correr na ciclovia da Radial Leste amanhã cedo?”. Foi tentador, mas fiquei na dúvida: “Será?”.

Como sou feliz por ter ao meu lado pessoas esclarecidas. Aceitei o convite e foi sensacional, mesmo terminando o treino me arrastando e com a freqüência cardíaca nas alturas.

Pra quem não conhece, essa ciclovia foi construída entre a Radial Leste e a linha do metrô, começando na estação Corinthians/Itaquera e terminando na do Tatuapé.

Nosso percurso foi um pouco menor, de Arthur Alvin até o Carrão. Vinte quilômetros, ida e volta, de um percurso novo e desafiador.

Foi muito legal fazer o caminho do metrô sem ouvir “Paramos para aguardar a movimentação do trem à frente”. Fomos direto e agora tenho uma coisa boa pra ficar pensando durante o para e anda do trem durante esse trecho.

Quando chegamos em casa, tomei um banho e “próxima estação: minha cama”. Senão não conseguiria acordar pra trabalhar hoje.

Ah, claro, fica o registro de que a minha namorada me deixou comendo poeira, ou melhor, fumaça, já que estávamos ao lado da Radial. Ela disparou e terminou o treino quase um minuto na frente.

De qualquer forma, encontramos uma boa maneira de aproveitar um feriado na quarta-feira. Adivinha o que vamos fazer no dia 12 de outubro?

Let’s keep running!

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

O lado triste da corrida

Sempre tive dois orgulhos na minha vida esportiva: jamais ter assistido a um zero a zero no estádio e nunca ter desistido de uma corrida por lesão.

O primeiro continua invicto, já o segundo...

Sempre que lia sobre atletas que abriram mão de uma prova por motivos clínicos, pensava “Tanto tempo de treinamento pra acabar assim? Que injustiça!”. Infelizmente as contusões não respeitam seu esforço.

Mesmo assim, como tudo de ruim que existe na vida, achava que nunca passaria por isso. Mas aconteceu, e foi justo na corrida que seria a minha estreia na meia maratona. Queria tanto correr a Golden Four da Asics que garanti minha presença no dia que abriram as inscrições.

Estava tudo perfeito. Fazia longões de 20 km tranquilamente e sentia que nada podia me deter. Porém, depois de um treino de subida no Parque do Carmo o que eu senti de verdade foi uma dor no joelho direito.

Diagnóstico médico: inflamação e um mês de repouso. Eu teria menos de três semanas para recuperar a forma que levei meio ano para adquirir.

Fiquei arrasado, mas me conformei. Por mais que a gente treine direitinho, sempre há o risco de encontrar uma lesão pelo caminho.

Aprendi da pior maneira possível que a decepção é uma das dores mais agudas na corrida.

Let’s keep running!

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

A democracia no mundo da corrida

Optar por uma prova é semelhante ao voto nas eleições. Inúmeros candidatos, geralmente as mesmas promessas e boca de urna nas competições para seduzir os eleitores.

A diferença entre corrida e política é que na primeira nossas escolhas sempre nos fazem bem.

São Paulo tem praticamente uma prova por final de semana ao longo do ano. Prato cheio para as empresas organizadoras conquistarem novos partidários.

Cada uma procura se destacar com uma proposta diferenciada. Para satisfazer os atletas que buscam performance, largada às 7 da manhã é o principal cabo eleitoral.

Se a ideia é agradar ao povão, o lema é investir na cesta básica da corrida: kit enxuto e inscrição barata.

Mas a burguesia também tem seus representantes. Para os corredores que gostam de correr e aparecer, kit cheio de mimos, número limitado de participantes e valor das inscrições com três dígitos.

Os militantes de extrema direita, como as feministas, têm uma prova só para eles e as minorias também estão bem representadas com a etapa Shalom entre outras.

Importante mesmo é que ao eleger suas provas, todos os brasileiros podem contar com o Programa Minha Corrida, Minha Vida.

Let’s keep running!

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Ninguém é perfeito

Garganta seca, lábios quase rachando e um sol pra cada corredor. O único líquido que existe no seu corpo é o suor. Mas eis que surge um oásis logo à frente. Você se aproxima e recebe das mãos de um sorridente voluntário um copo do líquido que, nesse momento, mais do que nunca, representa a sua sobrevivência. Num gesto brusco, rasgamos o lacre e tomamos aquela golada de água QUENTE!

                                                                        ***
Desde antes de pensar em correr eu já queria participar da São Silvestre. Finalmente meu sonho se realizaria e o primeiro passo seria a retirada do kit. Ser rápido é o objetivo da maioria dos corredores, mas receber a medalha antes do tiro de largada é demais, né? Pois o símbolo máximo da sua conquista e superação estava dentro da sacolinha do kit pré-prova. Ao recebê-la, derramei lágrimas ao invés de suor.

                                                                        ***
Você planeja sua corrida, define em quanto tempo pretende correr cada quilômetro. A prova começa e tudo vai indo bem, até que você percebe que a placa do km 5 está demorando a chegar. “Devo estar lento”, é a sua conclusão e acelera as passadas. De repente, ao invés da placa esperada é a do km 6 que surge ao seu lado. A placa do 5º quilômetro simplesmente NÃO foi colocada.

                                                                        ***

Assim como os seus praticantes, a corrida também tem seus defeitos. Deve ser por isso que a gente se identifica tanto com ela.

Let’s keep running!

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Crise de abstinência

Quem nunca ficou na secura por um gole de cerveja, vinho ou qualquer outro fluido alcoólico enquanto estava tomando algum tipo de medicamento que atire a primeira garrafa.

Estava me sentindo assim de meados de junho até meados de julho, quando uma inflamação na região do joelho me afastou da corrida. Nem um mísero e inofensivo trote. Tinha que me manter tão longe das pistas quanto um motorista embriagado das ruas.

É incrível como a sensação de dependência, nesse caso saudável, mexe com a gente. Fiquei irritado, mal humorado e dormia pessimamente. Nem o fato de acordar tarde no final de semana recompensava a sensação do condicionamento físico descendo ladeira abaixo. 

Quando via o pessoal correndo nas ruas, parques e academias, não disfarçava minha tristeza. Até mesmo os sites e as revistas eu deixei de ler para evitar lamentações.

Ao subir na esteira pela primeira vez após o tratamento, quase chorei. Primeiro de alegria e alguns minutos depois de decepção por perceber que estava longe do ritmo de antes.

Teria que correr atrás do tempo perdido, literalmente. Meu tempo de inatividade me fez regredir alguns passos na preparação para a meia maratona. Mas pelo menos estava de volta. Por isso, termino este post com um brinde ao vício mais saudável do mundo.

Let’s keep running!